TEXTO TRÊS

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11 de Abril de 2017           « O mundo gira, e ainda bem, que gira. A vida é complicada, mas cabe a nós simplificar a nossa história. Ao mês atrás, adormecia a chorar, senti que me estava a perder, presa numa coisa que nunca saiu-a do lugar em quase cinco anos, mas felizmente, tudo mudou a partir do momento que fechei essa porta, tranquei e atirei a chave para um buraco. E estou orgulhosa de mim por ter coragem de afastar algo que estava a destruir-me, na primeira semana custou, mas com a presença de pessoas incríveis na minha vida tudo se tornou mais fácil.              Por isso, nunca desistam de vocês mesmo por ninguém, isso é autodestruição, não deixes que ninguém te tire o sorriso, porque quem gosta de nós não nós tira, acrescenta e ajuda-te a recuperar. E eu dou graças por ter tanta gente ao meu lado que me quer ver a sorrir, isso sim, é amizade, é carinho, é na verdade, amor na sua planitude e quando reparamos são ...

TEXTO DOIS


Sou aquela rapariga que não deu muito trabalho para nascer.
Sou aquela rapariga que a irmã mais velha tanto desejava.
Sou aquela rapariga que aprendeu depressa a gatinhar.
Sou aquela rapariga que foi batizada com 11 meses e falou blá blá no microfone da igreja porque queria se expressar.
Sou aquela rapariga que puxou as orelhas à mãe porque queria os brincos brilhantes.
Sou aquela rapariga que passava o tempo a ferrar quem se cruzava com ela.
Sou aquela rapariga que chorava baba e ranho quando a mãe a deixava na avó materna, porque tinha de ir trabalhar.
Sou aquela rapariga que aprendeu muito com a avó.
Sou aquela rapariga que comeu o que tinha no prato porque a avó não queria que a neta passasse fome.
Sou aquela rapariga que ficou traumatizada quando viu a mãe a chorar por ter perdido um bebé.
Sou aquela rapariga que andava atrás da irmã mais velha para aprender a fazer asneiras.
Sou aquela rapariga que se dava como cão e gato com a prima, mas que quando estavam caladas ora estavam a cortar o cabelo uma à outra, ou então, cúmplices para roubar folhas da imprensa do tio para fazerem desenhos.
Sou aquela rapariga que escolheu o nome da segunda irmã, Juliana.
Sou aquela rapariga que tinha ciúmes da irmã bebé e fazia birras para não ir ao infantário.
Sou aquela rapariga que atirou um balde à cabeça de um rapaz porque ele destruí as tartarugas feitas de areia.
Sou aquela rapariga que pegou numa agulha e furou o que na altura ela achava que era um «anti-bebé».
Sou aquela rapariga que gostou de ser reprovada no segundo ano porque não gostava da professora.
Sou aquela rapariga que era posta de parte pelas raparigas e começou a jogar futebol com os rapazes.
Sou aquela rapariga que se apaixonou pelo primo do vizinho quando era nova.
Sou aquela rapariga que viu a mãe a chorar desesperada, porque tinha medo que algo acontecesse ao pai, depois de descobrirem um cancro.
Sou aquela rapariga que era posta de parte na escola, vi-a o pai sem falar devido à remoção do cancro na língua, e depois, chorava até adormecer.
Sou aquela rapariga que se refugiou na música,nas cores escuras, e daí, descobriu a sua paixão pela escrita.
Sou aquela rapariga que caiu muitas vezes, metaforicamente, e também, literalmente. No entanto, levantou-se sempre.
Sou aquela rapariga que muitos acham que conhecem, mas que é uma caixinha de surpresas.
Sou aquela rapariga que desejava voltar no tempo para se despedir da avó e não ficar em lágrimas quando vê uma ambulância e recorda aquela quarta feira de Dezembro.
Sou aquela rapariga que perdoa, mas não esquece.
Sou aquela rapariga que diz "chega" quando algo a incomoda.
Sou aquela rapariga que sofreu com um amor e com muitas pessoas que se diziam amigas, mas ergueu sempre a cabeça graças ao meu jeito de ser, e especialmente, graças aos seus amigos.
Sou aquela rapariga que se orgulha de si mesma, porque têm capacidade de ver que é nas pequenas coisas que está a felicidade.
Sou aquela rapariga que sabe que o caminho pode ser duro, porém, com esperança, família, amigos e amor, tudo se supera. Além disso, a morte não assusta, mas sim morrer e não continuar a viver nos corações dos que levamos no nosso.
Setembro 2016

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